Saltar para o conteúdo
Todos os guias do blog
IRSFiscalidade2026

Guia das retenções na fonte em 2026: tabelas, simuladores e o que precisa de saber

Como funcionam as retenções na fonte de IRS, o que mudou nas tabelas de 2026, como usar os simuladores oficiais e o que fazer se retiver a mais ou a menos.

12 min de leituraAtualizado 30 de agosto de 2026

Quando recebe o seu salário, a pensão ou o rendimento de uma prestação de serviços, parte desse valor não chega sequer à sua conta. É retido logo na origem. Essa parcela chama-se retenção na fonte e é, em essência, uma forma de o Estado receber o IRS (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares) de forma antecipada.

Neste guia explicamos, de forma simples e direta, o que são as retenções na fonte, o que muda nas tabelas de 2026, como pode usar simuladores oficiais para verificar se o valor retido é o correto e o que fazer se estiver a reter mais, ou menos, do que devia. Os valores fiscais referidos ao longo do artigo dizem respeito ao ano indicado em cada caso e são revistos anualmente, por isso confirme sempre os valores em vigor antes de tomar decisões.

O que são as retenções na fonte

As retenções na fonte são pagamentos por conta do IRS, ou seja, adiantamentos que o Estado recebe ao longo do ano, através do seu empregador, do sistema de pensões ou do seu cliente, em vez de receber tudo numa única vez no momento da declaração anual.

Em cada pagamento mensal, uma percentagem do rendimento é entregue diretamente ao Estado. Essa percentagem depende de três fatores:

  • O tipo de rendimento (trabalho dependente, pensão ou prestação de serviços)
  • A situação familiar (solteiro, casado, número de dependentes, existência de deficiência)
  • O valor mensal recebido

No fim do ano, quando entrega a sua declaração de IRS, essas retenções são somadas e comparadas com o imposto efetivamente devido. Se reteve a mais, o Estado devolve-lhe a diferença. Se reteve a menos, terá de pagar o que falta.

É por isso que a retenção na fonte não é um imposto adicional, nem o imposto final: é uma forma de o IRS ser pago por antecipação e de forma distribuída ao longo do ano. A retenção mensal é sempre uma aproximação e o acerto definitivo faz-se na declaração anual.

O que muda nas tabelas de retenção de 2026

As tabelas de retenção na fonte de IRS para 2026 refletem a atualização dos escalões e das taxas aprovada no Orçamento do Estado para 2026. São estas as tabelas em vigor e são elas que devem servir de referência para verificar o seu recibo de vencimento.

Para a maioria dos trabalhadores com rendimentos mensais entre 1.000 € e 3.500 €, a retenção mensal desce ligeiramente face ao ano anterior. Isto significa um rendimento líquido mensal um pouco mais alto, mas não significa, por si só, pagar menos imposto no total: o valor definitivo continua a ser apurado na declaração anual.

O impacto concreto no seu caso depende da composição do agregado familiar, do número de dependentes, da existência de deficiência e de outras variáveis, pelo que a única forma de o confirmar é simular com os seus próprios dados.

Quem está sujeito a retenção na fonte

Trabalho dependente (Categoria A)

Os trabalhadores por conta de outrem estão sujeitos a retenções mensais sobre o salário, aplicadas diretamente pelo empregador. As taxas são definidas nas tabelas oficiais de retenção, publicadas todos os anos por despacho do Governo.

Essas tabelas variam consoante:

  • O estado civil e número de dependentes
  • Se o contribuinte tem ou não deficiência
  • O tipo de titularidade (casado com um ou dois titulares de rendimento)

Para dar uma ideia da ordem de grandeza, nas tabelas aprovadas para 2025, ou seja, do ano anterior, um trabalhador não casado, sem dependentes, com rendimento mensal bruto de 1 200 euros podia ter uma taxa de retenção de cerca de 8,2 por cento, enquanto alguém com dependentes teria uma taxa mais baixa para o mesmo salário. As tabelas mudam todos os anos, por isso use as tabelas de 2026 para qualquer cálculo atual.

Pensões (Categoria H)

As pensões também estão sujeitas a retenção na fonte. O princípio é o mesmo: o valor é retido pelo sistema de pensões antes do pagamento, com base em tabelas próprias para pensionistas, distintas das de trabalho dependente.

Há ainda tabelas especiais para pensionistas com deficiência, com taxas mais reduzidas.

Trabalho independente (Categoria B)

Os trabalhadores independentes, como prestadores de serviços ou profissionais liberais, têm regras diferentes. A retenção é feita pelo cliente ou entidade pagadora, no momento do pagamento da fatura.

De acordo com o Código do IRS, na redação em vigor em 2025, ou seja, no ano anterior, a taxa geral de retenção era de 11,5 por cento, com exceções:

  • 23 por cento para algumas atividades da Tabela do artigo 151.º do CIRS (profissões técnicas e liberais)
  • 16,5 por cento para rendimentos de certas categorias de capitais

Havia ainda dispensa de retenção se o total anual de rendimentos fosse inferior a 10 000 euros ou se se tratasse apenas de reembolso de despesas. Nesses casos, o recibo deve incluir a menção legal de dispensa, nos termos do n.º 1 do artigo 101.º-B do CIRS.

Estas taxas e limites são revistos com frequência. Confirme no Portal das Finanças os valores em vigor para 2026 antes de emitir recibos.

Como estão estruturadas as tabelas de retenção

As tabelas estão disponíveis no Portal das Finanças e dividem-se por tipo de rendimento e situação familiar. A estrutura mantém-se estável de ano para ano, mudando sobretudo os valores.

Estrutura das tabelas

Cada tabela indica:

  • Faixas de rendimento mensal bruto
  • Taxa marginal máxima, ou seja, a percentagem a aplicar
  • Parcela a abater, que ajusta o valor final da retenção

As tabelas distinguem, na organização em vigor em 2025:

  • Tabelas I a III: trabalho dependente, sem deficiência
  • Tabelas IV a VII: trabalho dependente, com deficiência
  • Tabelas VIII e IX: pensões, sem deficiência
  • Tabelas X e XI: pensões, com deficiência, incluindo pensionistas das Forças Armadas

Confirme a numeração e o conteúdo das tabelas publicadas para 2026 no Portal das Finanças, uma vez que as tabelas de retenção são aprovadas anualmente por despacho.

O que tinha mudado em 2025, o ano anterior

A título de comparação, as tabelas de 2025, aprovadas pelo Despacho n.º 236-A/2025, tinham sido atualizadas para refletir:

  • O aumento do salário mínimo nacional, referido na fonte original como 820 euros para 2025
  • A reforma dos escalões de IRS introduzida pelo Orçamento do Estado para 2025
  • O reforço da isenção para rendimentos mais baixos, garantindo que quem recebe o mínimo não sofre retenção

A atualização de 2026 segue a mesma lógica, aplicando os escalões e taxas do Orçamento do Estado para 2026.

Exemplo de cálculo, com as tabelas de 2025

Imagine um trabalhador solteiro, sem dependentes, com rendimento mensal bruto de 1 500 euros.

De acordo com as Tabelas I de 2025, para trabalho dependente, não casado sem dependentes, a taxa aplicável podia ser de 10,4 por cento e a parcela a abater de 42 euros. A retenção seria então de 1 500 euros multiplicados por 10,4 por cento, menos 42 euros, o que dá 114 euros. O trabalhador receberia 1 386 euros líquidos, após retenção e sem considerar a Segurança Social.

Exemplo ilustrativo. Não representa uma proposta nem garantia de resultado. Os valores usados são os do ano anterior e servem apenas para mostrar a mecânica do cálculo. Refaça as contas com a tabela de 2026 aplicável ao seu caso.

Como usar simuladores de retenção na fonte

O Portal das Finanças disponibiliza todos os anos um simulador oficial de retenção na fonte, atualizado com as novas tabelas. Existem também versões simplificadas em sites especializados, que calculam automaticamente o valor retido e o salário líquido.

O simulador de salário líquido da Xfin aplica as tabelas oficiais de 2026 e distingue Continente, Açores e Madeira, uma vez que as taxas aplicáveis nas regiões autónomas não são as mesmas do Continente.

Passos para simular

  • Aceder ao simulador oficial, no Portal das Finanças, na área de IRS e retenções na fonte
  • Selecionar o tipo de rendimento: trabalho dependente, pensão ou independente
  • Indicar o rendimento bruto mensal
  • Escolher o estado civil e o número de dependentes
  • Indicar a região, Continente, Açores ou Madeira
  • Inserir a situação de deficiência, se aplicável

O simulador calcula o valor a reter e o rendimento líquido aproximado, considerando a tabela correspondente ao ano em curso.

Dica útil

Guarde o resultado da simulação. Se notar uma diferença relevante entre o que o seu empregador retém e o valor estimado, confirme se está a ser aplicada a tabela correta, por exemplo casado com dois titulares ou casado único titular. Pequenos erros de enquadramento podem levar a retenções excessivas e, embora possa recuperar o valor no IRS anual, é preferível ajustar a tempo.

Retenções excessivas e insuficientes: o que fazer

É comum surgirem diferenças entre o valor retido e o imposto final. Essas diferenças têm três causas principais:

  • Mudança de rendimentos durante o ano, como aumento salarial ou prémios
  • Alteração da composição do agregado familiar, como nascimento de filhos, casamento ou divórcio
  • Erro na aplicação das tabelas

Se reteve a mais

Nesse caso, receberá reembolso de IRS. O valor retido é superior ao imposto final devido, e o Estado devolve a diferença após o processamento da declaração.

Se reteve a menos

Poderá ter de pagar a diferença no momento da liquidação do IRS. Embora não haja penalização direta se tudo for declarado corretamente, é importante ajustar a retenção para evitar surpresas no ano seguinte.

Se é trabalhador independente, pode fazer pagamentos por conta adicionais para equilibrar o valor ao longo do ano.

O resultado final depende ainda das deduções à coleta e dos benefícios fiscais a que tenha direito, que só entram no cálculo na declaração anual.

Retenção na fonte e literacia financeira: compreender para decidir melhor

Saber como funciona a retenção na fonte é um passo essencial para a gestão consciente do rendimento. Segundo o Relatório sobre os Hábitos Financeiros e Uso de Crédito em Portugal, do Banco de Portugal, de 2024, e dados do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, 76,9 por cento dos portugueses admitiam dificuldades em compreender conceitos fiscais básicos, como a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global), os escalões de IRS ou o papel das retenções.

Compreender estas regras ajuda-o a:

  • Estimar o rendimento líquido real antes de aceitar um novo emprego
  • Comparar ofertas salariais líquidas de forma justa
  • Planear o orçamento familiar e evitar desequilíbrios mensais

Como regra prática, deve olhar para o rendimento líquido mensal e não apenas para o valor bruto do contrato, e usar os simuladores oficiais sempre que houver alteração na sua situação pessoal.

Retenção por conta e retenção liberatória

É importante distinguir a retenção na fonte do pagamento final de imposto.

Por exemplo, nos trabalhadores independentes, a retenção não é o imposto final, mas apenas um adiantamento. O cálculo definitivo é feito na declaração anual de IRS. Em alguns casos específicos, como juros de depósitos ou dividendos, a retenção é liberatória, isto é, substitui o imposto final e o rendimento já fica isento de tributação adicional.

Saber se a retenção é por conta ou liberatória evita erros e pagamentos duplicados.

Retenção na fonte em contexto empresarial

Para as empresas, as retenções têm um papel de responsabilidade fiscal. O empregador é o substituto tributário, ou seja, quem retém e entrega o imposto ao Estado. É também responsável por declarar mensalmente essas retenções através da DMR (Declaração Mensal de Remunerações).

O não cumprimento desta obrigação pode originar coimas ou juros de mora.

Empresas e entidades pagadoras devem ainda reter IRS em:

  • Honorários pagos a profissionais independentes, quando aplicável
  • Juros pagos a fornecedores ou associados, se sujeitos a retenção

Retenção na fonte e planeamento financeiro pessoal

Ao contrário do que muitos pensam, ajustar a retenção não é fugir aos impostos. É apenas equilibrar o pagamento de forma mais adequada ao seu rendimento real.

Pode, por exemplo:

  • Pedir dispensa de retenção, se for trabalhador independente e os rendimentos forem baixos
  • Solicitar a atualização da situação familiar junto do empregador, para refletir dependentes ou deficiência
  • Rever as simulações após alterações salariais

Estas medidas ajudam a evitar que o Estado retenha mais do que o devido, libertando liquidez que pode ser usada para poupança ou para amortizar crédito. O crédito é um compromisso financeiro. Sujeito a análise e aprovação da instituição de crédito.

Conclusão: transparência para decidir melhor

Perceber as retenções na fonte é mais do que um exercício técnico. É compreender o que está a ser retido, porquê, e como isso tem impacto no seu rendimento mensal e no imposto anual.

As tabelas e os simuladores não são apenas instrumentos de cálculo, são ferramentas de transparência fiscal. Permitem-lhe verificar se está a contribuir o justo e planear com base em dados reais, sem surpresas na hora do IRS.

O princípio é simples: quanto mais compreender o sistema, mais controlo terá sobre o seu dinheiro. E é exatamente isso que a literacia financeira procura construir, decisões informadas, seguras e serenas.

Glossário essencial

  • IRS (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares): imposto que incide sobre os rendimentos obtidos por pessoas singulares residentes em Portugal
  • Retenção na fonte: valor de IRS descontado diretamente do rendimento, entregue ao Estado pela entidade pagadora
  • CIRS (Código do IRS): lei que define as regras de cálculo, escalões e taxas do IRS
  • Trabalho dependente (Categoria A): rendimento obtido por conta de outrem, sujeito a retenção automática pelo empregador
  • Trabalho independente (Categoria B): rendimento obtido por profissionais liberais ou prestadores de serviços, sujeito a retenção pelo cliente
  • Parcela a abater: montante fixo subtraído ao valor apurado, para ajustar a retenção final
  • Taxa marginal: percentagem de imposto aplicada à faixa de rendimento correspondente
  • Isenção de retenção: situação em que o rendimento não está sujeito a retenção na fonte, por exemplo em baixos rendimentos ou reembolsos de despesas
  • Retenção liberatória: retenção que substitui o imposto final, não havendo lugar a tributação adicional do rendimento
  • DMR (Declaração Mensal de Remunerações): declaração pela qual a entidade pagadora comunica as remunerações e as retenções efetuadas
  • Simulador de retenção na fonte: ferramenta oficial para calcular o valor líquido do rendimento após retenção e Segurança Social

Fontes consultadas

  • Orçamento do Estado para 2026, escalões e taxas de IRS, e tabelas de retenção na fonte para 2026
  • Portal das Finanças, área de IRS e retenções na fonte
  • Despacho n.º 236-A/2025, Diário da República, 1.ª Série, de 2 de janeiro de 2025, referente às tabelas de 2025
  • Código do IRS (CIRS), artigos 99.º e 101.º-B
  • Banco de Portugal, Relatório sobre os Hábitos Financeiros e Uso de Crédito em Portugal, 2024
TagsIRSFiscalidade2026

Última atualização desta página: